Fri
Nov
14
Partiu-se o sonho esplêndido; não dura
o amor. Só há a fagulha derradeira.
Amar é esquentar-se na fogueira
e, logo após, queimar-se. À desventura,
acordo. A imagem passa. A noite escura
ficou-me como eterna companheira,
a acalentar a brasa passageira,
lampejo do meu ser, que inda procura
trazer reminiscências da ruína:
retratos, dias, risos que cederam
com o tempo - esta ilusão que me extermina.
Ao fundo estou. Momentos se perderam.
Voltar é como a morte repentina:
sou cinza das lembranças que morreram.